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Como o Trauma da Pandemia afeta o Mercado Imobiliário

Não existem dúvidas de que esta pandemia vai afetar o mercado imobiliário. Temos uma noção óbvia de algumas tendências, como a queda no valor do aluguel, o aumento de oferta no mercado, desvalorização na venda, redução de lançamentos, etc. Tudo isso se repete após cada crise, e não é novidade. Mas como que o Coronavírus, uma pandemia mundial, pode afetar algumas fundações e conceitos mais complexos do mercado?

Usando o livro Rápido e Devagar do Daniel Kahneman, ganhador do prêmio nobel de economia em 2011, vou analisar o mercado imobiliário pós-pandemia por um janela onde as escolhas econômicas são influenciadas por fatores psicológicos, afetando diretamente as tomadas de decisões. Por exemplo, o vírus acabou fazendo com que hábitos, que já estavam enraizados na sociedade, se tornassem perigosos: como a aproximação com outras pessoas, compartilhamento de itens e aglomerações. Este tipo de “acontecimento catastrófico” entra no nosso subconsciente e influencia nossas tomadas de decisões emotivas, prevalecendo, em muito casos, sobre decisões lógicas. 

Analisarei como estes novos traumas impactam diferente setores do mercado imobiliário. Francamente acho bem mais legal e realista esta visão psico-econômica do que aquela tediosa teoria de oferta e demanda. 

 Realidade do novo Home Office

O Home Office vai aparecer a todo vapor. Muitas empresas foram forçadas a trabalhar de casa e acredito que a maioria gostou do resultado, principalmente pelo lado econômico. Esta tendência vai afetar negativamente imóveis comerciais, já que empresas vão precisar de menos espaços físicos para manter suas operações ativas. Por exemplo, uma empresa pode ter alguns funcionários remotos de home-office que só vão ao escritório para reuniões. Ou empresas podem adotar um sistema de rotação: 8 funcionários coordenadamente revezam um espaço que acomoda 4; um grupo diferente vai ao escritório a cada dia, por exemplo; e um lado ainda mais radical seriam pequenas empresas onde todos os funcionários trabalham de casa. 

Em contrapartida, o home-office vai ter um efeito positivo em imóveis residenciais de 3, 4 ou mais cômodos, valorizando está tipologia. Aquele quarto extra que era lugar de entulho, ou o antigo quarto do filho que foi morar sozinho, acabou de virar um excelente espaço para o trabalho. O conceito anterior de apartamentos compactos e escritórios grandes, pode ter mudado totalmente – agora talvez, as pessoas pensem que é melhor comprar um apartamento com 1 cômodo extra e transformar em escritório. Penso que aqueles “elefante-brancos”, apartamento grandes, vão voltar a ter utilidade e valor. 

Todo mundo falava que no futuro haveria uma grande procura por imóveis compartilhados. Muitos especialistas vinham apostando nesta modalidade. Mas será que as pessoas querem compartilhar? Em um estudo da Deloitte em 2019 sobre o comportamento do consumidor revelou que mais de 80% da população não gostaria de compartilhar espaço com outra. Na verdade o maior motivo de compartilhar era econômico, conseguir morar mais perto do trabalho gastando menos com moradia. E agora? Será que as pessoas sentem seguras morando em um ambiente com alto giro de pessoas desconhecidas? Podemos afirmar que este conceito enfrentará resistência até porque vamos valorizar ainda mais a privacidade e higiene, principalmente em cômodos como banheiro, quarto e cozinha. 

 O novo hábito de consumo

A vontade de ter um imóvel próprio vai voltar a crescer, e muito.  Diversos especialistas em finanças, e economia apoiam que é melhor investir o dinheiro em ações e com o retorno sobre o investimento, pagar o aluguel. Mas essa “ideia” acabou de mudar. Em apenas uma semana, bilhões de dinheiro aplicado em ações, foi perdido. Mas o imóvel estava lá, seguro e providenciando toda segurança que muitos precisavam. Assim, vamos poder observar uma preferência maior pela compra, principalmente, através de recursos como o financiamento.

Desde a primeira revolução industrial tínhamos um êxito grande do campo para cidade; mas agora este fluxo pode começar a mudar. Vamos viver uma desurbanização. A casa de praia, fazenda, sítio ou casa de veraneio,  pode facilmente virar a moradia principal. Invertendo a jornada e logística, a “viagem” agora, é ir para a cidade comparecer a uma reunião e voltar. Existe mais um fator muito importante que fortalece este conceito de morar longe de centro urbanos, que é o ensino a distância. Não só os pais continuam trabalhando mas os filhos continuam aprendendo online.

E por último e mais que óbvio, será uma boa internet em casa, em todos os cômodos. Viver sem internet virou humanamente impossível.

Acredito que com estes novos traumas, vamos ter novas tendências moldando um novo consumidor e um novo mercado. É inevitável ignorar que nosso subconsciente sempre acaba tendo uma peso em nossas tomadas de decisões e no mercado imobiliário não vai ser diferente. 

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