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Como A Escola de Belas Artes me tornou um Empreendedor Melhor

Até hoje lembro perfeitamente do dia em que fui aceito com direto a bolsa de estudos para um programa de dois anos em uma universidade em Boston para estudar Belas Artes. Após ter me formado em economia e ter trabalhado com GPS para Carros e Gás Natural, finalmente tomei a decisão de seguir minha paixão e fazer uma pós-graduação em pintura a óleo e esculturas. 

 

Engraçado que no primeiro dia que tomei essa decisão e comuniquei a todos que  seguiria carreira nas artes, foi muito parecido com quando resolvi me desligar da empresa da minha família com 61 anos de tradição no Mercado Imobiliário (aonde trabalhei por alguns anos depois da pós-graduação em Belas Artes) e anunciar que montaria a minha própria startup no mesmo ramo. 


Primeiro as pessoas educadamente tentam te persuadir a não seguir; “Tem certeza disso?”; “Não é melhor um emprego em uma grande empresa?”; ou o famoso “Pensa com carinho no seu futuro, Felipe.” Depois tem aqueles mais diretos; “Isso não vai dá certo.”; e o “Ele tá maluco.” E tanto na Escola de Arte, quanto na vida de Empreendedor, esse tipo de crítica foi música para os meus ouvidos. 

 

Dois anos e meio após fundar a Livima, a empresa atingiu um crescimento médio de 30% ao mês, conseguimos recentemente uma rodada de investimentos para melhorar nossa tecnologia e expandir para novos estados, e viramos referência no mercado como novas tendências para o futuro. E sabe de uma coisa? Acredito que parte do meu sucesso como empreendedor veio da Escola de Belas Artes. Por isso resolvi destacar os 5 aprendizados que tive nela que me ajudaram a me tornar um Empreendedor melhor. 

 

   1. Não entregue o osso facilmente.

 

O início é, sem dúvidas, o momento mais difícil. Quando você começa o seu trabalho ou projeto tudo ainda é muito verde. Na arte eu precisei de 9-12 meses para fazer meu primeiro trabalho, que no final teve um resultado mediano. Essa necessidade de atingir o sucesso imediato cria pressões interna e externa fortes. Muitas vezes você acaba ficando sozinho, remando em direção a um lugar que só você enxerga. Mas persistir é essencial, e navegar é preciso. Às vezes você consegue ver um resultado positivo com uma visão do futuro aonde muitos ainda não enxergam concretamente ou não acreditam – essa é a hora que você tem que confiar em você, manter o foco e continuar o trabalho para que o resultado venha. Aprendi muito com isso na arte, e apliquei esta mesma resiliência nos meus negócios. Hoje fico muito feliz de ter mantido o foco e continuado seguindo meu rumo na época do meu curso de arte, e ter começado a minha startup. 

 

     2. Não tenha medo de errar, mas aprenda com os erros.

 

Na arte você talvez tenha uma certa liberdade para errar ou testar mais do que no business. Talvez. A verdade é que passar por essas experiências de erros e acertos foi muito importante, pois a permissão para falhar me levou a novas ideias, pontos de vista diferentes e me possibilitou melhorar o que eu já estava fazendo. É errando  que se evolui. Muitas das vezes é no erro que você encontra a galinha de ouro. Na arte eu pintava com óleo e tela e fazia esculturas em metal. Um dia resolvi pintar em uma tela de metal, só para ver como ficava. Nesse risco achei um nicho dentro da pintura/escultura pouco explorado que me permitiu crescer. Foi minha pivotada na arte.  

E no empreendedorismo é igual. É preciso tentar, estar de olhos aberto e sujeito a mudanças no seu modelo de negócios. Nestas tentativas e falhas você pode e, provavelmente, vai encontrar o diferencial da sua empresa no mercado. Seu product-market-fit. 

 

     3.  Participe do ecossistema.

 

O mito do artista ou empreendedor gênio-solitário é 100% mito! Meu trabalho e desempenho na arte melhoraram cada vez mais quando eu participava e interagia com outros artistas e profissionais do ramo. Tínhamos o hábito na Escola de visitar o atelier de outros colegas e criticar o trabalho, sugerir referências literárias ou visuais e debater um pouco sobre as ideais. Essa troca de informação e compartilhamento foi essencial para mim. Aqueles que estão passando por processos similares, ou um passo à frente, ou um passo atrás, vão te ajudar a enxergar algo que você não vê. 

 

No empreendedorismo, novamente, é muito parecido. Converse com pessoas de dentro do seu ramo, mentores ou outros fundadores. Às vezes muitas soluções, uma posição estratégica, ou até mesmo uma ferramenta que melhore sua eficiência pode surgir nessas conversas. 

 

     4. Prepare sua marmita.

 

A falta de recursos financeiro é uma realidade, então se prepare para isso. Quando você decide seguir um caminho individual, que requer mais autonomia, existirá sempre o risco, – principalmente no começo – de ficar com sua conta baixa ou negativa. Todo stress financeiro é ruim, por isso é importante ter cabeça boa e foco apurado nesses momentos. No final do primeiro ano do curso de Belas Artes, meu recurso para material novo estava acabando, então precisei diluir o que eu tinha para mais um ano. Em vez de comprar tintas prontas comecei a produzir minha própria tinta comprando pigmentados e misturando com óleo, comecei a montar minhas próprias telas, e para esculturas de metal, só usava “scraps” – metais jogados fora por outros alunos ou até mesmo encontrados na rua. Depois fiquei com tão pouco dinheiro que comecei a usar o metal como tela e descobri um novo mundo. Viu? O meu melhor erro aconteceu por falta de recursos. 

 

Em uma empresa pequena é muito parecido. O capital é essencial no começo, mas a falta dele acaba forçando novos caminhos e te obriga a usar sua criatividade. Então prepare-se para passar por estes momentos mais apertados, mas mantenha a inovação como uma carta na manga. 

 

     5. Doideira é paixão, e isso é bom. 

 

Quando comecei meu primeiro dia naquela sala de pintura eu estava loucamente apaixonado pelo momento. Tinha certeza que havia tomado a decisão certa, e que iria pular de cabeça no projeto. Eram minha paixão e minha vontade que muitas vezes me faziam continuar a trilhar aquele caminho. Acreditava de corpo e alma que daria certo e que pelo menos estava aprendendo algo, me tornando uma pessoa mais forte e mais qualificada. Essa doideira pode acabar se tornando a sua força-motor para o sucesso. 

 

O Empreendedor tem uma paixão muito parecida. Você, mais que todos, precisa acreditar no que está fazendo e tirar a sua felicidade disso. É 110% de dedicação e comprometimento. O sucesso de muitas empresas não vem de uma boa ideia inicial e sim da garra e da força de vontade de dar certo. E essa energia vem muito da sua paixão. 

 

    6. Chute o pau da barraca

 

Seguindo um pouco a filosofia do texto, resolvi adicionar uma sexta categoria. Na pintura, para entender como melhorar meu uso de cores, eu desconstruí todo processo – desde a linha da fábrica para tela, até o pêlo do pincel e as camadas de aplicação pré-pintura. Nesta desconstrução resolvi abandonar e desobedecer a muitos processos e regras já estabelecidas como “certas” ou como “a melhor forma” e comecei a fazer do meu jeito. Foi aí que cheguei, realmente, à inovação. 

 

Na Livima foi tudo muito parecido. Eu sabia que era necessária uma revolução no processo para realmente chacoalhar o mercado de imóveis. Daí resolvi fazer uma mudança total e montar uma imobiliária que conecta o proprietário direto com o interessado, sem cobrar comissão. O empreendedor às vezes precisa chutar o pau da barraca. E aqui vai a lição mais importante: Pare de pensar e refletir, só chuta e faz! 


 

Por Felipe Bogoricin 

 

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